Via aérea

Anestesia tópica para intubação acordado

O que é intubação acordado?

  • É quando se usa anestesia tópica e pouca ou nenhuma sedação, mantendo o paciente com drive respiratório preservado durante todo o procedimento.

Quando se deve fazer o procedimento da intubação acordado?

  • Pode-se optar pela intubação acordado quando há necessidade de examinar a via aérea ou se antecipa uma via aérea anatomica ou fisiologicamente difícil e na qual planos de resgate possivelmente falharão.

Quando não se deve fazer o procedimento de intubação acordado?

  • Não se deve fazer o procedimento da intubação acordado em pacientes que precisem de uma via aérea avançada imediatamente ou que estão deteriorando muito rapidamente. Esta técnica demanda tempo para ser realizada com segurança.

Como é o procedimento da intubação acordado?

  • Preparo:
    • Como em todos os manuseios da via aérea deve-se preparar todos os materiais necessários antes do procedimento, assim como deixar à mão os materiais para via aérea de resgate.
    • Deve-se melhorar as condições para a absorção do anestésico local, glicopirrolato 0.005mg/kg intravenoso, 10-20 minutos antes da intubação, é a medicação de escolha para redução de secreções.
    • Deve-se então calcular a dose máxima de lidocaína para o paciente, a dose máxima para lidocaína intravenosa é entre 3-5mg/kg, o uso tópico tem biodisponibilidade menor que o uso intravenoso.
    • Nebulização de 5mL de lidocaína 2% para anestesia da cavidade oral, nasal e hipofaringe é o passo seguinte. A lidocaína inalada pode desencadear broncoespasmo em alguns pacientes.
    • A dose aqui descrita de lidocaína é de 100mg, deve-se adequar a dose ao paciente.

 

  • Intubação orotraqueal:
    • O paciente deverá gargarejar e bochechar, porém não engolir, 4mL de lidocaína 2%.
    • Com a língua exteriorizada aplicam-se 5-10 jatos de lidocaína a 10% na base da língua, úvula e restante da orofaringe, estendendo o máximo possível à laringe.
    • Ainda com a língua exteriorizada, aplica-se 1 a 2 gramas de lidocaína gel 2% (1 grama equivale a 4cm x 0,5cm do gel) com um abaixador de língua na base da língua do paciente, auxiliando na anestesia da hipofaringe.
    • Para a anestesia de traqueia e da laringe pode-se utilizar um dispositivo de cateter sobre a agulha 20G com o cateter reduzido a aproximadamente 1-1,5cm. Após retirada da agulha injeta-se 3-4mL de lidocaína a 2% através de punção da membrana cricotireoide.
    • Procede-se com a técnica adequada de laringoscopia e intubação.
    • A dose aqui descrita de lidocaína é de 300mg, deve-se adequar a dose ao paciente.
  • Intubação nasotraqueal:
    • Com auxílio de um atomizador aplica-se 3ml de lidocaína aquosa 2% com 1mL de fenilefrina 1% desde a região posterior da cavidade nasal até a porção anterior. Com a língua exteriorizada aplica-se 5-10 jatos de lidocaína a 10% na base da língua, úvula e restante da orofaringe, estendendo o máximo possível à laringe.
    • Ainda com a língua exteriorizada, aplica-se 1 a 2 gramas lidocaína gel 2% (1 grama equivale a 4cm x 0,5cm do gel) com um abaixador de língua na base da língua do paciente, auxiliando na anestesia da hipofaringe.
    • Coloque lidocaína gel ao redor do tubo e insira-o na cavidade nasal, com sua ponta proeminente lateralizada, antes de introduzir o endoscópio.
    • Durante a tentativa de intubação deve-se prestar atenção especial à possibilidade de trajeto alternativo submucoso. Caso aconteça deve-se retirar o tubo e utilizar a outra narina para a intubação.
    • Fraturas de base de crânio e de maxila são contraindicações à técnica.
    • A dose aqui descrita de lidocaína é de 280mg, deve-se adequar a dose ao paciente.

 

Deve-se sedar o paciente para este procedimento?

    • Pode-se realizar sedação para procedimento, caso necessário. O uso de cetamina, em alíquotas de 25-50mg até a sedação desejada, é o recomendado.

Eric Sabatini Regueira

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Médico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Residente em Medicina de Emergência pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Membro da seção de International Emergency Medicine do American College of Emergency Physicians (ACEP)

Membro da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE)

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